
Baltasar Garzón, o célebre juiz que mandou prender Bin Laden e Pinochet publicou as suas memórias, «Um Mundo Sem Medo», cuja versão portuguesa saiu esta semana. O EXPRESSO foi entrevistá-lo a Nova Iorque, onde está a estudar
No livro, diz que o seu primeiro «encontro» com a polícia, durante a ditadura de Franco, foi por causa de um cravo que levava entalado num livro de Direito.
Isso foi em 1975, tinha então 20 anos. Estava no terceiro ano de Direito, um ano muito turbulento. Foi o ano da morte do Franco e o ambiente universitário e dos trabalhadores em Espanha estava muito revolto. Eu estudava na Faculdade de Direito de Sevilha e tínhamos feito várias greves e manifestações. Naquele dia - creio que foi no próprio dia 25 de Abril de 1975 -, como forma de protesto contra a ditadura espanhola e tomando por base a própria revolução portuguesa, decidimos colocar um cravo dentro dos livros ou na lapela. A polícia não entendeu por que razão tantos estudantes levavam um cravo. Em determinado momento, aproximaram-se de mim e mandaram-me retirar o cravo. Eu disse que não e um polícia arrancou-mo do livro de Direito (creio que era de Direito Civil, já não posso precisar), atirou-o ao chão e pisou-o. «Aqui em Espanha não permitimos que andem com estas merdas...», comentou. Foi um dia em que houve manifestações de rua, perseguições, correrias; já se percebia que a ditadura de Franco estava a chegar ao seu final.
Alguma vez foi preso?
Não, por sorte. Mas estive à beira de o ser algumas vezes, para grande temor dos meus pais, a quem nunca disse que estava metido naquelas manifestações. Sempre pensaram que eu estava enfiado na biblioteca a estudar - o que nem sempre era exacto...
Nesse ano, em Setembro, foram fuzilados vários militantes da ETA e dos GRAPO. Em Portugal, foram vistos como uma espécie de heróis na luta contra o franquismo. Houve manifestações em todo o lado...
Foi a 27 de Setembro de 1975.
Ver Versão integral na edição nº 1740 (Revista ÚNICA - Jornal EXPRESSO)
Fonte: Expresso Online


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