sábado, março 04, 2006
Cavaco Silva: é impossível «ressuscitar» Constituição da UE
O presidente da República eleito, Cavaco Silva, considera, na sua primeira entrevista após as Presidenciais, que é actualmente impossível «ressuscitar o Tratado Constitucional Europeu» e que a Europa deve cooperar e não ser uma força alternativa aos Estados Unidos.
Em entrevista ao jornal espanhol ABC, que será publicada domingo, Cavaco Silva manifesta-se descrente na recuperação do Tratado Constitucional da UE, «tal como está».
«Não creio que neste momento seja possível ressuscitar o texto do Tratado Constitucional, tal como está», afirma Cavaco Silva na entrevista a que a agência Lusa teve hoje acesso em Madrid.
«Mas é um bom ponto de partida para uma nova reflexão que é necessário fazer para conseguir alterações nos tratados», afirmou o presidente português eleito, que toma posse na próxima quinta-feira.
O Tratado Constitucional da União Europeia, que para entrar em vigor necessita de ser ratificado por todos os 25 Estados-membros, já foi rejeitado, em referendos, em França e na Holanda.
Na entrevista, realizada em Portugal pelo adjunto do Director do jornal, Ramón Pérez-Maura, e pela correspondente em Lisboa, Belén Rodrigo, o presidente da República eleito aborda temas de política europeia, quer a nível diplomático, quer económico.
Num momento de grande agitação nos sectores da energia e das telecomunicações da UE, Cavaco Silva defende que «as sensibilidades nacionais não podem violar as regras do mercado interno europeu».
«Há algumas liberdades essenciais na UE, as de movimento de mercadorias, serviços, capitais e pessoas, que justificam a existência de um mercado interno e que são os grandes pilares da UE, pelo que devem ser respeitadas», afirma.
Quanto ao relacionamento entre a UE e os EUA, Cavaco Silva lembra que «partilham valores de civilização comuns» e que o que «une os dois lados do Atlântico é muito mais forte do que aquilo que ocasionalmente os pode dividir».
Como tal, afirma, «a Europa não deve tentar ser uma força alternativa, mas sim cooperar com os EUA», sendo que isso «não quer dizer que tenha que estar de acordo com tudo o que defendem os americanos».
No que toca à política económica ibérica, Cavaco Silva defende um reforço dos laços que unem Portugal e Espanha, considerando que «ainda há mais espaço para aprofundar esse intercâmbio», já que, «se a Europa é cada vez mais um mercado único, também a península Ibérica é cada vez mais um mercado único».
Nos excertos da entrevista facultados à Lusa, surge apenas uma referência a Portugal, com Cavaco Silva a considerar que «a centralização em Portugal prova que é um país com uma forte unidade que não tem problemas linguísticos, étnicos ou religiosos».
Fonte: Expresso Online
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