sexta-feira, março 10, 2006

PJ sem mãos a medir para crimes informáticos


Aumento do número de casos obriga a que muitos transitem de ano para ano. Investigadores especializados são insuficientes.

A Polícia Judiciária investigou, em 2005, 401 casos de crimes informáticos, mas o aumento exponencial de queixas aliado à falta de recursos humanos implicou a transição para 2006 de outras 450 participações, revelou, ontem, um inspector daquela polícia.

Baltazar Rodrigues, da Direcção Central de Investigação da Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira (DCICCEF), falava no Instituto Superior Técnico no âmbito da 13.ª Semana Informática. Segundo o inspector da Polícia Judiciária (PJ), a maioria dos casos está relacionada com acesso ilegal a dados, devassa da vida privada, pedofilia, burlas informáticas e de telecomunicações e falsificações de cartões de crédito. Em 1997, referiu, foram investigados 104 casos e, em 2005, esse número aumentou para 401 (mais 25% do que no ano anterior).

O investigador apontou a falta de recursos humanos como a principal razão por que não foram tratados em 2005 os 450 casos, cuja investigação transitou para 2006. Reconhece, contudo, que tem havido um grande investimento nesta área de investigação criminal, dado ter aumentado 200% do número de agentes especializados, entre 2000 e 2005.

Perante uma plateia de estudantes, o inspector falou de algumas das preocupações da PJ e referiu o chamado "phishing", que se baseia no envio de um correio electrónico (e-mail) fraudulento com o objectivo de obter códigos de acesso a dados financeiros. Nos últimos tempos, têm surgido formas cada vez mais sofisticadas. Uma das mais recentes, indicada pelo inspector, envolve o envio de um e-mail que direcciona para páginas onde as pessoas são convidadas a introduzir códigos de utilizador.

Estes programas conseguem registar a sequência de teclas pressionadas, actividades realizadas com o rato ou imagens do ecrã. Depois de recolhida a informação, enviam-na pela Internet para um site controlado pelo autor da fraude, que pode fazer uso dessa informação.

A PJ, adiantou, está também preocupada com a segurança do sistema Wirless (acesso à Internet sem fios) que pode ser usado, caso não existam sistemas de segurança informática, para entrar em instituições financeiras.

Fonte: Jornal de Notícias

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