sexta-feira, março 03, 2006

Guantánamo: Ordem dos Advogados contra «terrorismo de Estado»

Conheça a posição da CDHOA sobre a situação dos detidos na prisão de Guantanamo. "O terrorismo, pela negação da vida, valor supremo da humanidade, deve ser combatido sem tréguas e sem compromissos, sob pena de minar os alicerces das democracias, nomeadamente quando recorre ao terrorismo suicida."

"Ainda Sobre o Terrorismo

Guantanamo: Inércia, Vergonha e Retrocesso Civilizacional

Foi recentemente tornado público o Relatório das Nações Unidas sobre a situação dos detidos na prisão de Guantanamo, no qual são tecidas duras críticas à actuação dos EUA e seus apoiantes à forma como são tratados os detidos.

Concretamente são postos em causa os métodos de investigação bem como as condições físicas e morais dos detidos, aliadas à recusa de visitas aos detidos.

Como recomendação máxima, destaca-se a recomendação de encerramento da prisão de Guantanamo a curto prazo.

É certo que os terroristas são criminosos internacionais, com cuja actuação não se podem compadecer as nações e os povos livres, nem os defensores dos direitos humanos. O terrorismo, pela negação da vida, valor supremo da humanidade, deve ser combatido sem tréguas e sem compromissos, sob pena de minar os alicerces das democracias, nomeadamente quando recorre ao terrorismo suicida. A apologia da morte, qualquer que seja a perspectiva recompensatória extra-terrena, é a negação da nossa própria existência como homens.

Sabemos que o terrorismo germina no terreno fértil da opressão, da marginalização e da discriminação, alimentado pelos fundamentalistas religiosos e por políticos sem escrúpulos.

Mas não é possível recorrermos aos métodos terroristas, ao terrorismo de Estado, para combater os terroristas; lutar na batalha do terrorismo com os seus meios, e os seus princípios, será o fim da civilização, o retorno à barbárie, ao olho por olho e dente por dente.

Seria um retrocesso civilizacional sem precedentes na história moderna e contemporânea.

Às nações civilizadas impõe-se a luta contra o terrorismo e demais inimigos da liberdade e democracia, com as regras da liberdade e da democracia, e sobretudo fazendo desaparecer a opressão, a marginalização, e a discriminação dos povos que geram os terroristas, não os excluindo da partilha das riquezas da humanidade.

João Senra da Costa - CDHOA"

Fonte: Ordem dos Advogados

Sem comentários: