terça-feira, março 07, 2006

Centros de saúde vão dar assistência nas cadeias


Director dos Serviços Prisionais critica actual sistema Custos anuais são da ordem dos 30 milhões de euros, em parte devido ao sistemático recurso a médicos privados.

O ministro da Justiça, Alberto Costa, prometeu, ontem, que nesta legislatura será possível que o atendimento médico a reclusos se realize nas penitenciárias. "Existem problemas estruturais que requerem coragem política, meios financeiros e também imaginação, nomeadamente no que se refere à inserção de cuidados de saúde no sistema prisional. Pode ser que esta legislatura seja o quadro apropriado para o fazer", disse, após a visita do presidente da República, à ala livre de drogas do Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL).

A saúde no sistema prisional foi o tema do debate, em que o chefe de Estado lembrou - antes do ministro da Justiça intervir - ter perguntado na primeira vez que foi ao EPL "Se há médicos com horários disponíveis porque não vão às penitenciárias fazer duas horas, três vezes por semana? "Uma questão que o ministro da Saúde, Correia de Campos, já não ouviu, por se ter ausentado mais cedo.

As declarações de Alberto Costa surgiram após o discurso de Miranda Pereira, director-geral dos Serviços Prisionais, que foi recentemente reconduzido no cargo e que, nas palavras do próprio presidente da República teve uma intervenção de "desassombro".

Com efeito, Miranda Pereira revelou que "há um envelhecimento da população prisional", com o que isso acarreta em termos de consumo de medicamentos e de despesa com cuidados de saúde. E, por outro lado, existem problemas na toma assistida de medicamentos. "Faltam enfermeiros para acompanhar todos os casos. Não há especialistas para tudo. É difícil contratá-los", apontou o director-geral dos Serviços Prisionais, que lamentou o facto de que "ainda não foi possível sentar à mesma mesa o Ministério da Saúde para encontrar resposta para estes problemas", ao mesmo tempo que propôs o recurso aos médicos dos centros de saúde.

É que, segundo uma fonte dos Serviços Prisionais adiantou ao JN, os custos são elevados "Por ano o Estado gasta 30 milhões de euros na assistência à saúde nas cadeias". A razão de ser da elevada verba está no facto de quarenta por cento dos serviços clínicos nas cadeias serem prestados pelos privados devido à falta de coordenação entre os ministérios.

E essa verba não se esgota apenas no pessoal, onde são empenhados anualmente dez milhões de euros. Por exemplo, para medicamentos e internamentos vão 24 milhões de euros.

Fonte: Jornal de Notícias

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