
O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, reafirmou hoje, durante a cerimónia de tomada de posse, que está a decorrer no Parlamento, a sua total disponibilidade para cooperar com o Governo de José Sócrates.
Cavaco Silva propôs cinco desafios à sociedade portuguesa. O primeiro é a criação de condições para o crescimento mais rápido da economia, com o objectivo de proporcionar mais emprego aos portugueses e aproximar Portugal dos parceiros europeus.
O segundo desafio compreende a qualificação dos recursos humanos, tanto ao nível da educação dos jovens como da qualificação dos trabalhadores.
A terceira proposta feita por Cavaco Silva reside no reforço da credibilidade do sistema de justiça, com o intuito de criar um sistema de justiça "mais eficaz, credível e responsável".
O quarto ponto é a sustentabilidade do sistema social e a necessidade de se encontrar uma fórmula que permita manter o actual apoio social aos mais desfavorecidos, aos desempregos e aos reformados.
Por último, Cavaco Silva apontou a credibilização do sistema político como o quinto desafio a que Portugal tem de responder. "Os agentes políticos têm de ser um exemplo de cultura da honestidade, de transparência, de responsabilidade, de rigor na utilização dos recursos do Estado, de ética do serviço público, de respeito pela dignidade das pessoas, de cumprimento de promessas feitas", sublinhou.
Estabilidade política "não é um valor em si mesmo"
O Presidente da República alertou que a estabilidade política - valor que defendeu durante toda a campanha - "não é um valor em si mesmo" nem se pode "confundir com imobilismo".
"De acordo com a leitura que faço dos poderes presidenciais inscritos na Constituição, considero que o Presidente da República deve acompanhar com exigência a acção governativa e deve empenhar-se decisivamente na promoção de uma estabilidade dinâmica no sistema político democrático", defendeu Cavaco Silva, no seu discurso de posse perante a Assembleia da República.
Para o novo chefe de Estado, "o país necessita de mais do que uma mera cooperação institucional" e apela a "consensos alargados" em torno dos grandes objectivos nacionais. "Os portugueses têm uma ambição maior em relação àquele que, nos termos da Constituição, representa a República", considerou, defendendo que do Presidente "não se pode esperar uma simples promessa de lealdade institucional em torno dos grandes objectivos nacionais com os restantes órgãos de soberania".
Defendendo o diálogo entre os diversos agentes sociais como um dos elementos da estabilidade política, Cavaco Silva resumiu o que entende por cooperação estratégica.
"Trata-se, em palavras simples, de fazer obra em comum. De todos fazermos obra em comum", defendeu, considerando que o Presidente da República pode ser um porta-voz privilegiado da sociedade civil, mas sem se assumir como "porta-voz de interesses corporativos".Cavaco Silva assumiu, além do respeito pela separação de poderes, um "compromisso político de isenção".
"Tratarei por igual todas as forças políticas e sociais representativas da nossa sociedade. Serei o Presidente de Portugal inteiro", garantiu, retomando uma promessa deixada na campanha eleitoral.
Na sessão solene de tomada posse, Cavaco Silva deixou ainda um apelo aos portugueses.
"Ajudem Portugal a vencer as dificuldades, é o apelo que nesta ocasião dirijo a todos", disse, considerando que "é uma ilusão pensar que basta a acção do Governo, da Assembleia da República e do Presidente da República".
"Portugal precisa de todos os portugueses numa atitude de dedicação ao trabalho, de rigor e persistência, num esforço redobrado para fazer bem e com qualidade o que lhes compete fazer", disse, num apelo que dirigiu tanto a trabalhadores e sindicatos, como a empresários e gestores, a universidades e politécnicos, aos funcionários públicos, aos professores e famílias, às autarquias locais e aos portugueses espalhados pelo mundo.
Mário Soares abandonou o Parlamento sem cumprimentar Cavaco Silva
O ex-Presidente da República Mário Soares abandonou a Assembleia da República sem cumprimentar o novo chefe de Estado, Cavaco Silva, recusando-se a prestar quaisquer declarações aos jornalistas.
Logo que terminou o discurso de posse de Cavaco Silva, Mário Soares e a sua mulher, Maria de Jesus Barroso, dirigiram-se para a porta principal do Parlamento, sem passar pelo Salão Nobre, onde decorria a sessão de cumprimentos ao novo Presidente da República.No percurso, o casal Soares teve de atravessar os Passos Perdidos, onde estava um batalhão de jornalistas, mas o fundador do PS recusou-se a prestar declarações sobre a cerimónia.
No entanto, Mário Soares acabou por ter um contratempo, porque a sua mulher ficou a falar algum tempo com o ex-chefe de Estado de Moçambique Joaquim Chissano.
Sozinho nas escadas, o candidato que ficou em terceiro lugar nas últimas presidenciais, com cerca de 14 por cento dos votos, pediu a um dos seus seguranças pessoais para chamar Maria de Jesus Barroso.
Fonte: Público


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