terça-feira, outubro 23, 2007

"Poder feudal" gera mal-estar no MP

O ponto da entrevista que gerou mais mal-estar interno no Ministério Público (MP) tem a ver, soube o JN, com as alusões a um "poder feudal". "Há o conde, o visconde, a marquesa e do duque", disse Pinto Monteiro. O Sindicato dos Magistrados do MP recusou comentar a entrevista. António Cluny, o seu presidente, revelou apenas estar "atento".

Fontes do MP leram na afirmação uma pretensão de controlar a própria autonomia dos magistrados. E, eventualmente, abrir caminho para propor a alteração da lei com vista à retirada de poderes ao Conselho Superior do MP, de forma a que todos os magistrados colocados em lugares de responsabilidade passem a ser nomeados pelo PGR - e não eleitos. Notada foi também a mensagem transmitida quanto uma pretensa falta de controlo sobre a PJ.

Rui Rangel, juiz-desembargador e presidente da Associação Juízes pela Cidadania, assinala a intenção do PGR. "Há claramente um recado interno é preciso reforçar os poderes do PGR, nomeadamente no Conselho Superior do Ministério Público, onde o procurador tem um papel decorativo, e no domínio da cadeia hierárquica", disse, sublinhando que Pinto Monteiro pretenderá uma "varredela interna da estrutura do MP".

in
Jornal de Notícias.

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