sábado, abril 19, 2008

"Há um tabu político no combate à corrupção"

Maria José Morgado aponta o dedo a políticos e MP

Poder político e o próprio Ministério Público são os principais responsáveis, na opinião de Maria José Morgado, pelas falhas no combate à corrupção, em Portugal. Esta é a opinião da magistrada que está há um ano à frente dos destinos do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa (DIAP), expressa ontem em entrevista à agência Lusa.

A magistrada teceu fortes críticas à própria instituição a que pertence, o Ministério Público: "Temos é que trabalhar com os meios que temos e a seguir mais meios virão. Mais palavras e menos lamúrias, porque senão ficamos num vale de lágrimas e não vamos a lado nenhum", avisou Morgado, lembrando que "todos os departamentos estão em situação de grande acumulação de serviço" .

O poder político não escapou às críticas: "Em Portugal, há um tabu político em relação ao combate à corrupção", disse a magistrada, embora reconheça que "existem políticos com apego ao combate este crime".

"O combate à corrupção é importantíssimo num País pouco desenvolvido como o nosso. E, portanto, não percebo porque é que, ao nível político, às vezes, a visão não pareça ser essa", afirmou Maria José Morgado.

Num contexto da recente contratação de Jorge Coelho, ex-ministro socialista das Obras Públicas PS, para presidir à Mota-Engil, a procuradora criticou a transição de políticos e ex-membros de governos para grandes empresas públicas e privadas. "Mesmo para além do período de nojo, podem originar situações de conflitos de interesse latentes e criar situações de risco". Morgado discorda que esta situação se possa resolver através de legislação, sublinhando que é mais uma questão "de cultura, força da opinião pública e de mentalidades".

A procuradora defendeu que, para prevenir a corrupção, as empresas públicas, os ministérios, as secretarias de Estado e restantes instituições "deveriam publicar todos os anos a lista dos 20 ou 30 fornecedores com quem tiveram contratação e adjudicação de serviços".

A magistrada considerou ainda que o MP "tem o dever e a obrigação de apresentar os melhores resultados que estejam ao seu alcance com os meios que tem. E não deve, nem pode fracassar".

Por Filipa Ambrósio de Sousa com LUSA , in
DN Online.

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