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sábado, agosto 16, 2008

Polícias queixam-se dos testes à droga

Em quase 2700 testes à presença de droga nos condutores, nem 10% foram positivos. A GNR recebeu, em 2007, quase três mil kits, mas só realizou 1.638 testes. Alegadamente por os militares não levarem os kits para as inspecções.
A PSP e a GNR realizaram 2.697 testes de despistagem de drogas em condutores e 162 foram positivas, revelam os dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR).

Cumprido um ano de vigência da Lei, o presidente da ANSR, Paulo Marques, faz "um balanço positivo". Mas reconhece que no início ocorreram "dificuldades com o manuseamento e a utilização dos equipamentos" e que o teste ainda é "difícil e demorado" de fazer.

A GNR efectuou 1.638 testes e detectou 115 infractores. Apesar de ter recebido, em 2007, 2950 "kits" de testes à saliva. Ao todo, não foram usados nos testes 1312 "kits", o que não espanta, já que fonte da Associação Profissional da Guarda queixou-se à Lusa da falta de formação da GNR, fazendo com que os militares não saibam usar os "kits" e não os levem para as acções de fiscalização.

Com os 1.950 "kits" entregues, a PSP fez no mesmo período 1059 rastreios, dos quais 47 acusaram a presença de drogas.

O maior número de testes e de detecções registou-se nos dois primeiros meses de vigência: Agosto e Setembro, segundo disse Paulo Marques, devido à inexperiência dos agentes. Acrescentando que "ao contrário do álcool, que se faz sempre", o rastreio à droga só se realiza se "houver suspeita" baseada no tipo de conversa, comportamento e dos olhos.

Os testes são obrigatórios nos envolvidos em acidentes com mortos e feridos graves, e nas fiscalizações, mas só se houver indício de consumo do condutor.

Quem é apanhado tem um prazo para ir ao hospital tirar sangue, cuja recolha é depois enviada ao Instituto de Medicina Legal. Só mediante prova efectiva é que o condutor é penalizado, com inibição de conduzir durante 24 meses e pagamento de 500 euros.

O presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia, Paulo Rodrigues, considera que os agentes deveriam despistar a droga e o álcool em simultâneo, queixando-se que o teste não é efectuado mais vezes porque demora 30 minutos.

in JORNAL DE NOTÍCIAS.

domingo, março 30, 2008

PSP e GNR vão pedir amostras de saliva ou sangue a condutores

Dentro de muito em breve, a PSP e a GNR vão passar a pedir aos condutores fiscalizados em "operações stop" a cedência voluntária de amostras de saliva ou de sangue, tendo em vista a despistagem de uso de drogas e outras substâncias psicotrópicas e um estudo da Comissão Europeia. A iniciativa vai durar quatro anos e visa, no final, obter o panorama de 18 países europeus. As amostras biológicas, recolhidas de forma anónima e voluntária, serão analisadas pelo Instituto de Medicina Legal.

Ao JN, o secretário de Estado adjunto e da Justiça explica que o objectivo é "verificar até que ponto existe uso, e qual o impacto, dimensão e consequências, para que de futuro se avalie as legislações dos diferentes países nessa matéria".

Apesar das dúvidas que a proposta pode levantar - designadamente quanto a eventuais utilizações para efectiva detecção de uso de estupefacientes ou análise do ADN e averiguação do perfil genético -, José Conde Rodrigues considera existirem "condições" para contar com a colaboração da população. "No fundo é um teste, como na área dos medicamentos, para posteriormente se efectuar um estudo", diz.

De igual forma, o governante que tutela o Instituto de Medicina Legal garante que as amostras de saliva não irão ser utilizadas para inclusão na futura base de dados de perfis de ADN, cuja lei de implementação entrou recentemente em vigor, visando utilização em casos de investigação criminal e identificação civil.

Quatro mil amostras/ano

De acordo com os termos do projecto europeu, denominado, em Português, "Estudo da condução sob influência de droga, álcool e medicamentos", entre as substâncias a pesquisar nos serviços de toxicologia forense do Instituto de Medicina Legal estão a codeína, morfina, heroína, metadona, cocaína, "cannabis" (haxixe) e metanfetaminas.

Para a recolha de amostras biológicas, o cidadão que aceitar colaborar com as autoridades terá de manter na boca, durante cerca de dois minutos, um dispositivo (cotonete) com algodão, responder a algumas perguntas e efectuar o "teste do balão".

O projecto, que irá durar quatro anos, estima que anualmente sejam reunidas pelo menos quatro mil amostras de vestígios biológicos de condutores, em locais aleatoriamente escolhidos em todo o país. As autoridades garantem que a adesão ao "estudo" é "voluntária e realizada sob total anonimato". "Não haverá registo do nome, número de bilhete de identidade ou qualquer outra informação que possa revelar a identidade do condutor", garante o documento, que assegura, ainda a "destruição da amostra", após a análise.

A par da Noruega, Suécia, Polónia, Espanha e República Checa, Portugal é um dos seis países que terão a seu cargo a realização do estudo em condutores. Outros sete (Dinamarca, Bélgica, Holanda, Itália, Finlândia, Lituânia e Hungria) irão recolher os vestígios também em vítimas de acidentes rodoviários que venham a ser admitidas em hospitais.

in
Jornal de Notícias.